Da Gestão de Ativos à Inteligência de Ativos
Após 30 anos de experiência entre a BD, Brookfield e Elera Renováveis, começo agora outro capítulo de minha carreira. Foram duas décadas em cargos de diretoria, cuidando de Operações, O&M, Engenharia e Gestão de Ativos. Isto me proporcionou uma vivência e uma bagagem feita de escolhas concretas.
Uma experiência construída em decisões
Participei de mudanças profundas no setor industrial e no setor elétrico, liderei times, operações, engenharia, manutenção e programas de gestão de ativos em tecnologias variadas e em diferentes momentos de maturidade. Não se tratou de somente acompanhar o que os equipamentos faziam, mas entender as pessoas, as lideranças e as decisões que determinavam seu valor.
Minha base prática começou no chão de fábrica. Na BD-Becton Dickinson comecei como engenheiro de processos, onde pude conviver por muitos anos com técnicos, operadores, mecânicos e ouvir os processos mais do que conhecê-los. Depois passei para a área de operação e manutenção e percebi desde cedo que qualidade, processo, manutenção e operação não funcionam isolados, o resultado de um ativo ou produto final depende muito de como esses elementos se encaixam. Depois fui galgando posições de liderança técnica e especializações no exterior. Aí foi a época que apliquei as técnicas Lean e Six Sigma nos processos, montando equipes focadas em melhoria contínua e estatística e principalmente obtendo resultados fascinantes. Conduzi auditorias de qualidade e HSSE no Brasil e pelo mundo nas filiais BD, ajudei a ajustar as plantas brasileiras às normas brasileiras e internacionais como ISO 9001, ISO 14000, marca CE para o mercado Europeu e exigências da FDA. Todas elas com requisitos e controles específicos e fundamentados. Foi uma jornada de muita interação internacional onde pude aperfeiçoar minha especialização em liderança e interação com times multifuncionais e multilíngues.
Em 2008 passei para o setor elétrico, quando ingressei no Grupo Brookfield comecei como gerente regional de operações, responsável por O&M de cerca de 20 hidrelétricas. E posteriormente em 2014 assumi a diretoria de Operações Eólicas, Solares e Biomassa, com 21 parques eólicos, uma planta solar e quatro usinas de biomassa sob minha responsabilidade direta, e integrei ainda uns 500 MW de novos ativos neste período.
O braço de energia da Brookfield no Brasil mudou de nome e de estrutura até virar o que hoje chamamos de Elera Renováveis. Tive o privilégio de participar da transformação da Elera, ajudando a construir equipes, processos e capacidades que acompanharam o crescimento da companhia, de 491,5 MW de capacidade instalada, quando o portfólio era exclusivamente hidrelétrico, para cerca de 3,5 GW, incorporando ativos eólicos e solares.
Ao longo dessa jornada, atuei diretamente em gestão de ativos, operação e manutenção, engenharia, integração de novos ativos, desenvolvimento de equipes, otimização de desempenho, gestão de riscos, custos e investimentos, além de liderar processos de Technical Due Diligence em aquisições e desinvestimentos. Tive a oportunidade de liderar uma estrutura com cerca de 100 engenheiros e especialistas, integrada a uma operação que conectava mais de 400 profissionais em mais de 100 ativos e áreas de apoio.
Essa trajetória mostrou que engenharia de confiabilidade não é ideia abstrata. Cada tecnologia traz sua curva de aprendizado, modos de falha, riscos e forma própria de operar. O método precisa se ajustar, sem perder o rigor, mas é indispensável que ele seja considerado na estrutura pois guiará certamente o futuro de risco, custo e performance.
O que os relatórios mostram e o que está além deles
Em 2020, já na Elera como diretor de Gestão de Ativos, organizei e implementei práticas alinhadas à ISO 55001, com atenção a risco, desempenho, custo e valor do ativo do início ao fim valorizando e fortalecendo a gestão de ativos sistematizada.
Junto com o time de Engenharia e Gestão de Ativos, criamos o Centro Integrado de Operações, juntando o centro de engenharia, centro de operação e o centro de segurança. Isto nos diferenciou rapidamente no mercado além de trazer uma grande sinergia entre estas áreas e ganhos fantásticos de monitoramentos preditivos e antecipação de falhas. Diminuindo risco, custo e melhorando nossa performance de O&M.
Coordenei due diligences técnicas em O&M em cerca de 900 MW de aquisições e 300 MW de vendas, participei de roadshows com seguradoras no Brasil e na Europa, e ajudei em reestruturações de contratos que baixaram custos recorrentes. Todas estas iniciativas proporcionaram um crescimento sólido da empresa e uma melhoria concreta de resultados.
Aprendi a interpretar o que os relatórios dizem, indicadores, tendências, mas também o que está muito além deles: a importância das pessoas, da cultura, da experiência e da qualidade das decisões. Os números mostram o desempenho, mas só as decisões explicam os números.
Vivenciei boas escolhas virarem alta disponibilidade e também más escolhas virarem paradas não planejadas. Um ativo pode perder valor por um contrato mal feito, responsabilidades mal divididas ou uma decisão postergada. O número não é a decisão, é apenas um sinal. Seu significado depende de quem entende o processo que o gerou, reconhece o contexto e age assertivamente.
Da gestão de ativos à inteligência de ativos
Depois de três empresas multinacionais e líderes de mercado, tecnologias distintas e estágios variados de maturidade, algumas perguntas passaram a guiar meu dia a dia. O indicador revela a causa ou só o efeito? O risco importante já aparece na análise? O CAPEX ataca o problema certo? O contrato reparte responsabilidades e incentivos de forma justa? A organização consegue executar o que planejou e decidiu? E qual valor está sendo criado, protegido ou perdido?
Essas perguntas não substituem os dados, elas ligam os dados à realidade do ativo e fazem a informação servir à decisão. A inteligência de ativos surge dessa mistura de conhecimento técnico, experiência operacional, dados e contexto de negócio.
Minha formação técnica andou junto com a prática. Me especializei em Black Belt em Six Sigma pelo Juran Institute e pela BD no Canadá, me especializei em Lean Manufacturing pela KCG nos Estados Unidos. Projetos e treinamentos me levaram à Colômbia, China, Índia, Canadá, Estados Unidos e Europa. Essa diversidade reforçou uma regra simples, não decidir por opinião quando há dado disponível, e não aceitar o dado sem entender como ele foi gerado.
Por que nasceu a INNALTIUM
Depois de décadas dentro de empresas, percebi que minha maior contribuição podia ir além de um único portfólio. Em aquisições, integrações, reestruturações, programas de confiabilidade e modelos de gestão de ativos, notei um padrão, as empresas tinham dados, conhecimento técnico e experiência, o desafio era juntar tudo isso numa visão que orientasse decisões e gerasse valor.
Dessa percepção nasceu a INNALTIUM. Não como fim de uma carreira executiva, mas como continuação de um propósito, transformar conhecimento sobre ativos em inteligência para decisões estratégicas.
A INNALTIUM apoia investidores, conselhos, proprietários, utilities e gestores em decisões de compra, venda, investimento, transformação, operação e descomissionamento de ativos intensivos em capital. Unimos experiência operacional, engenharia, confiabilidade, riscos, desempenho econômico, contratos, tecnologia e governança numa visão única do ativo.
Cada projeto parte de perguntas concretas: Qual risco precisa ser entendido? Qual desempenho precisa melhorar? Qual decisão tomar e que valor criar ou proteger? Com método, evidências, independência técnica e transferência de conhecimento, a INNALTIUM não entrega apenas análises, desenvolve clareza, capacidade de decidir e inteligência para que os ativos rendam melhor hoje e sigam gerando valor no futuro.
Um Novo Capítulo
Ativos não são só equipamentos, usinas, contratos ou números. São sistemas vivos onde tecnologia, pessoas, processos, capital e decisões precisam trabalhar juntos.
Sigo essa nova etapa com entusiasmo e respeito pelo que construímos na Elera Renováveis. Sou grato às lideranças e, principalmente, às equipes com quem trabalhei.
Se sua organização precisa adquirir, operar, transformar ou extrair mais valor de um ativo intensivo em capital, será um prazer conversar.
Porque ativos não criam valor só por mostrar bons números. Eles criam valor quando conhecimento, experiência e informação de qualidade viram decisões melhores.
